Com o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24), a Campanha da Fraternidade 2010 trata da Economia e Vida.
A Campanha da Fraternidade de 2010 levará para cerca de 50 mil comunidades cristãs discussões sobre economia. O texto-base do evento, que começa na próxima quarta-feira, dia 17 de março, critica a crescente dívida interna do país, as altas taxas de juros, a elevada carga tributária, o sistema financeiro internacional e até mesmo o PAC do governo federal.
Realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1964, a campanha deste ano é ecumênica e reunirá, além da Igreja Católica, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, a Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e a Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia. Elas integram o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a organizadora do evento em 2010.
A CF 2010 busca a conscientização sobre temas econômicos pouco conhecidos por grande parte da população. Em relação à dívida interna, o manual da campanha diz: "apesar dos gastos com juros e amortizações da dívida pública consumirem mais de 30% dos recursos orçamentários do país, essas dívidas não param de crescer".
Segundo o texto, a dívida inviabiliza a aplicação de recursos na área social. A meta do evento, que vai até 28 de março, é fazer com que as comunidades reflitam sobre o que está dando certo e errado na economia do país, e possam cobrar mudanças dos políticos.
Um dos objetivos da CF 2010 é fazer com que os cristãos deixem de ser omissos em relação ao uso perverso das ferramentas da economia. A visão colonizadora e dominante do sistema econômico capitalista negou e quase destruiu outras formas de fazer econômica.
É preciso resgatar e reintroduzir outros valores na economia. Reconhecer que existem limites materiais para o crescimento econômico e a inviabilidade de manter a desigualdade crescente interna aos países, entre beneficiados e marginalizados do progresso e entre as nações.
Qual seria a alternativa econômica para um desenvolvimento sustentável?
Para ser sustentável a economia tem que estar adequada às condições locais, ao meio ambiente e respeitar as diversidades culturais.
É necessária a democratização do acesso aos meios necessários para a produção de bens e serviços. No Brasil haveria de possibilitar o acesso à terra aos trabalhadores rurais para desenvolver atividades agrícolas que garantam segurança alimentar e nutricional, respondendo à função social da propriedade agrícola.
Para ser sustentável o desenvolvimento tem que ser orientado pela conquista de novos direitos: de acesso e usufruto de um ambiente saudável, da diversidade cultural, da autodeterminação dos povos e de igualdade de gênero, raça e etnia.
Enfim, a valorização das iniciativas econômicas solidárias com base no associativismo, na cooperação e diversas formas de solidariedade é outro caminho para o desenvolvimento sustentável.
Dom Mauro Montagnoli, bispo de Ilhéus BA |